Formas eróticas

 

            A arte da escultura lida basicamente com espaços e formas para instaurar as mais variadas relações de mundo. As discussões entre cheios e vazios, altos e baixos, e encaixes e reentrâncias dão a cada peça um valor intrínseco, fruto da construção de uma poética em que a técnica se associa à sensibilidade.

            A série Formas eróticas, da artista plástica Audrey Landell, traz à tona questões essenciais. Uma delas diz respeito ao fato de cada peça ser dividida em partes. Podem ser separadas e dispostas de diversas maneiras pelo observador/participante, que pode tocá-las e articulá-las.

            Estabelece-se um clima lúdico, que se acentua quando as peças, seja  no seu formato final, seja  no fragmentado, são fruídas dentro do seu tema central, que é o erotismo. De fato,  esse aspecto acaba por se diluir perante o jogo de crateras e sombras, em que falos, vulvas, seios e fusões dialogam.

            A escultura de Audrey Landell tem a arte erótica como assunto, mas seu foco está na peculiar estrutura. É no jogo de gerar uma realidade táctil e visual que o universo plástico se desenvolve como a exploração de um motivo. As formas propostas superam o erótico para atingir na própria arte uma prática a vencer o tempo.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).