Projeto - Contornos de mim: Eu disse não!

Justificativa

A luta pelos direitos das mulheres tem se constituído numa bandeira internacional de grande relevância, sobretudo no século XX. Muitos avanços foram conquistados, mas ainda há muito por se fazer na busca pela igualdade de gêneros. Uma das graves violações dos direitos humanos, se refere à violência contra a mulher que tem vitimado milhares de brasileiras, com consequências negativas para suas famílias, comunidades e a sociedade em geral. No Brasil a lei nº 11.340 aprovada em 2006, mais conhecida como “Lei Maria da Penha”, foi um reflexo das conquistas realizadas pelos movimentos de mulheres em nosso país.

 

Os Centros de Referência a Mulheres em Situação de Violência (CRMs) da cidade de São Paulo surgem neste contexto e realizam ações de enfrentamento às situações de violência de gênero, por meio de atendimento e acompanhamento psicológico, social e jurídico.

 

O projeto se propõe a realizar um conjunto de oficinas artísticas e culturais, com as mulheres que são atendidas em alguns destes CRMs, em que a arte surge como catalisadora da transformação de suas subjetividades, através do fortalecimento da autoestima e do processo de desligamento da violência, sofrido por estas mulheres. Com esta intervenção se colocará luz em novos posicionamentos. Novos começos ou recomeços serão possíveis para estas mulheres. A arte surge aqui como produção de uma expressão artística enquanto atividade humana individual e coletiva e também cultural, a partir da reflexão da relação destas mulheres com suas ideias, formas e símbolos.

Objetivo

Realizar oficinas artísticas e culturais com mulheres vítimas de violência, visando uma produção artística que possibilite uma reflexão sobre suas subjetividades e novos posicionamentos sobre suas vidas.

 

Público beneficiado

- Mulheres acolhidas por cinco CRMs localizados em cada uma das regiões de São Paulo.

- Colaboradores e vizinhança dos CRMs que serão escolhidos no decorrer do projeto.
 

 

Descrição da ação

 

A ação a ser realizada em cada CRM de uma região de São Paulo se desenvolve em dois momentos.

 

O primeiro, com um grupo de mulheres com até 12 pessoas com foco no trabalho da relação do corpo de uma com as outras, a partir de diferentes posicionamentos que cada uma delas enxerga para si, tanto do que se quer deixar para trás quanto do que se deseja nesta nova vida, sem a presença da violência com a perspectiva do novo. Serão feitos desenhos dos contornos de seus corpos primeiramente deitados, simbolizando aquilo que não se quer mais, e em seguida em pé, trazendo a ideia de um posicionamento daquilo que se quer daqui pra frente. Uma relação de dentro e fora também se coloca a partir deste contorno dos corpos, que não se pretende naturalista. No total serão 24 desenhos, nos dois posicionamentos citados. Posteriormente, cada uma delas terá um momento de registrar por meio da escrita estes dois movimentos, “do que eu quero” e “do que eu não quero”, nos respectivos contornos realizados entre elas.

 

Todo este material recolhido neste primeiro momento, passará por um processo de transformação, na escolha de um suporte pela artista para virar uma intervenção artística em cada um dos CRMs participantes, que serão escolhidos oportunamente.  Será realizado o mínimo possível de interferência neste material que se tornou uma matéria-prima riquíssima, para uma instalação que será feita com estes desenhos dos contornos em acetato, um material transparente que traz respeitosamente o que todas estas mulheres trouxeram no processo de posicionamento no momento anterior. Um procedimento que favorece a transparência de chegar mais perto do grupo, não só participante, mas de todo o CRM, por se tratar de uma intervenção que estará exposta neste espaço e visível para todas as mulheres, colaboradores e outros visitantes destes espaços.

 

No segundo momento da oficina será desenvolvida uma ação pública, e para isso optou-se pela técnica do stencil. Trata-se de uma ocupação de espaço, em que os contornos dos corpos se tornarão um stencil para serem preenchidos pelas mulheres no chão com tinta spray, acompanhados das frases daquilo que elas “não querem mais”. Como o grafite, que traz em si um posicionamento e ao mesmo tempo uma comunicação com o público em geral, esta intervenção traz em si uma sensibilização da vizinhança para questão da violência contra mulher estimulando ao mesmo tempo, uma objetivação das subjetividades destas mulheres que estão em pleno processo de transformação de suas vidas.  

 

 

Parcerias

Para realização deste projeto, conta-se com o apoio e parceria do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher e da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

 

 

Cronograma

 

 

Quantidade de tapas: 12.

Duração: dois meses da etapa 1 a 11. Um mês para finalização da etapa 12.

Início: a combinar

Dias de encontros presenciais: etapas 1, 3 ,8, 9, 10 e 13

Produção para a confecção da instalação e dos stencils: durante os dois meses.

 


Etapas:

 

1. Agendamento e conversa com as mulheres em situação de violência doméstica (duas horas);

2. Compra dos materiais (um dia);

3. Oficina Contornos de si (dois dias com duas horas de duração);

4. Transposição dos desenhos em papel para o acetato (15 dias);

5. Transposição dos desenhos para o recorte do stencil (15 dias);

6. Pintura no acetato (15 dias);

7. Preparação da instalação - costura dos fios (1 semana);

8. Montagem da instalação artística (dois dias);

9. Encerramento com depoimento da experiência para a comunidade de frequentadores, amigos e familiares do CRM (duas horas);

10. Eu disse não! Ação participativa do coletivo com os stencils no CRM e no espaço urbano (4 horas);

11. Registro em fotografia e vídeo (durante o processo de dois meses);

12. Edição do vídeo e fotos (um mês);

13. Desmontagem (um dia);

 

Primeiro momento com o grupo

Oficina Contornos de si;

Transposição para o acetato;

Recorte dos stencils;

Pintura, costura e suporte em madeiras no ateliê;

Transporte;

Espaço para montagem da instalação;

 

Segundo momento com o grupo 

 

Ação participativa Eu disse não! 

 

 

Recursos dos Colaboradores/Patrocinadores:

 

A seguir a descrição dos recursos materiais e humanos necessários para realização do projeto.

 

Materiais:

Papel cartão;

Acetato;

Spray;

Caneta colorida (3 caixas);

Fita crepe;

Fio de nylon;

Tesoura;

Linhas;

Agulhas;

Madeira;

Parafusos;

Ganchos;

Placa de metal com inscrição da ação e nome dos participantes;

 

Infraestrutura:

 

Aluguel de galpão para dois meses.

    

 

Para solicitar orçamento especificado de material, oficinas presenciais, produção, aluguel de galpão e montagem da obra, entre em “Contato” (acima) e envie sua mensagem.

 

Atenciosamente,

Audrey Landell