Abordagem Artística

A artista tem nos limites que o outro desperta o seu reflexo. Isso não é mero jogo de palavras, é sua forma de existir, aprender, sentir e criar. O sofrimento desse outro que gera impedimento, impossibilidade, inércia, um quase desistir, afetam e são propulsores da sua criação artística, de um desejo de existir junto com esses processos. Começa aí uma tecitura relacional. 

Ao se afetar, já num processo de criação, Audrey busca quebrar vínculos viciados, promover a perda de controle de territórios pessoais, provocar deslocamento dos espaços considerados familiares e dos condicionamentos sociais e institucionais. Estes  são alguns dos fios que compõem sua produção artística.

Encontrar suportes e procedimentos que ajudem a tornar visíveis os campos de força e os processamentos que surgem nessas proposições, são os novos fios que se entrelaçam. Sua abordagem artística, acontece no encontro dessas várias linhas. Como uma trama ou uma teia que vai se formando durante o percurso.

No final desse trajeto, chegamos a uma obra/proposição visual que carrega em si a memória da concepção e da cartografia gestacional, como um rizoma, em que “as multiplicidades se definem pelo fora, pelas linhas abstratas, de fuga ou desterritorialização, que mudam de natureza ao se conectarem umas com as outras”.*

Seu percurso enquanto artista diz respeito a esse engajamento; à confecção dessa trama com várias abordagens e linguagens, uma fusão de diferentes mídias que transcendem as fronteiras entre arte e pesquisa, arte e ativismo social, clínico e político. Num incessante fluxo de proposições que experimentam um inaugural contínuo da vida.

* Giles Deleuze e Félix Guattari