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Sinto que o meu processo de criação começou quando nasci. O meu nascimento se repete em cada concepção criativa que realizo.

Minha mãe perdeu sua mãe, quando ainda era uma criança, e meu pai a sua, pouco antes da minha chegada.

Foi nessa atmosfera entre o luto e a celebração, que respirei pela primeira vez.

Meu corpo se entrelaçou com a vertigem da queda e a resistência do sopro.

Uma espécie de bóia fronteiriça que flutuou como ponte, diante do colapso aniquilador.

O processo de criação, na minha vida, costura ilhas. Nelas eu posso me espelhar e reconhecer uma linguagem em curso.

Da infância, me lembro das histórias que pintava, dos textos que organizavam meus pensamentos e dos cantos que davam voz aos afetos. Toda inquietação me lançava pelos caminhos desconhecidos e eu experimentava uma inesgotabilidade no fazer, um anseio pelo mistério que se desvelava pouco a pouco, um pouco mais e que nunca cessou.

Existe uma força restauradora que me preenche e acompanha quando sou ativada por uma práxis.

Essa ação é movida por uma não ação. Ela aparece por uma necessidade de dar forma a algo obscuro. O retorno não é de um acontecimento isolado, mas de todas as memórias de travessias  entre a vida e a morte que se revelaram na minha vida.

Quando sinto um entrelaçamento relacional naufragando, seja ele íntimo ou coletivo, tramo algumas estratégias e sustento o encontro do que está agonizando. Isso acontece simultaneamente com uma linguagem que vai sendo tecida em torno daquelas vidas. Funciono de maneira plural e todo o trabalho que faço é a expressão de uma resistência.